Página Inicial Data de criação : 10/09/13 Última actualização : 13/05/18 21:41 / 156 Artigos publicados

Poço da Neve  (Outros) Inserido Sunday 08 May 2011 22:24

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Blogue de sergiocoimbrao :Sérgio Coimbrão Fotografia, Poço da Neve

Santo António da Neve, Serra da Lousã, Castanheira de Pera, 26/03/2011.

No antigo Cabeço do Pereiro, a 1058 m de altitude, ergue-se uma capela em honra de Santo António e porque foi mandada construir em 1786 por Julião Pereira de Castro, neveiro-mor da casa Real, passou o local a designar-se por Santo António da Neve.

Segundo um trabalho do Dr. Herlander Machado, os poços da neve ali existentes são seguramente mais antigos do que a capela. Admite-se mesmo que sejam muito anteriores a Julião Pereira de Castro no ofício de que só há notícia devidamente documentada a partir de 1757 em alvará de D. José também assinado pelo Marquês de Pombal.

Dos sete poços construídos somente restam três que pela sua raridade foram considerados imóveis de interesse público.
Estes três poços de construção tosca são redondos no seu interior; todavia dois são octogonais no seu exterior e um é circular. Estão cobertos por abóbadas de pedra em forma de sino achatado e todo o conjunto foi edificado com a pedra negra da região. Cada poço tem uma só porta, estreita, virada para nascente, como para evitar que, quando o Sol é mais forte, possa entrar pela estreita porta e derreter a neve ali guardada.

Utilizando escadas de mão, feitas em tosca madeira, os homens desciam ao fundo destes poços - que então tinham uma profundidade superior a uma dezena de metros - e à medida que neles iam sendo despejadas as cestas com neve iam calcando esta com pesados maços de madeira que empunhavam vigorosamente, à maneira dos calceteiros de hoje.
Empedernida, isolada entre os paredões alisados pelo estuque, coberta depois de palha e fetos, a neve conservava-se nesses amplos reservatórios, até ao Verão - sem que uma réstia de Sol lhe pudesse chegar.

Quando chegava o tempo quente, a neve era cortada e seguia em grandes blocos para Lisboa. O transporte era feito, numa primeira etapa, em ronceiros carros de bois. Apenas três ou quatro desses grandes blocos podiam ser carregados nessas robustas carroças e eram cuidadosamente envolvidos em palha, em fetos, mesmo em serapilheiras ou, ainda, metidos em caixotes.

Mas, mesmo assim, diz o testemunho oral que muita neve se perdia pelo caminho percorrido através dos tortuosos carreiros da serra, quase penosamente.
Em Miranda do Corvo fazia-se a primeira muda dos animais e depois os carros partiam para Constância onde, da via terrestre, se passava para a via fluvial até ao Terreiro do Paço onde eram feitos saborosos gelados para o Rei e sua corte, tão saborosos que os Lisboetas os procuravam no Martinho da Arcada e outros cafés.

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